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Adaptação transcultural de medidas de autorrelato

Alex França

abr 7, 2023

A adaptação transcultural de medidas de autorrelato tem sido cada vez mais comum, sendo uma das partes mais importantes das pesquisas transculturais. Em síntse, medidas de autorrelato são questionários que permitem aos participantes descrever seus sentimentos, pensamentos e comportamentos.

Pesquisadores utilizam amplamente tais medidas em estudos clínicos e psicológicos. No entanto, é importante adaptá-las para a língua e a cultura de destino para garantir sua validade e fidedignidade.

Neste post, vamos discutir as diretrizes para o processo de adaptação transcultural de medidas de autorrelato, com base em Borsa et al. (2012). Para os autores, o processo de adaptação transcultural de medidas de autorrelato envolve cinco etapas distintas, cada uma com uma finalidade específica. Em seguida, vamos ver cada uma delas!

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Quais são as etapas do processo de adaptação transcultural de medidas de autorrelato?

A primeira etapa é a tradução da medida original para o idioma e cultura de destino. Para isso, tradutores bilíngues qualificados devem realizá-la, garantindo a compreensão adequada da nova versão. Além disso, é essencial considerar aspectos linguísticos, culturais e científicos do construto avaliado.

A segunda etapa envolve a síntese das traduções. Em outras palavras, especialistas comparam as versões para identificar e corrigir discrepâncias semânticas, idiomáticas e contextuais, chegando a uma única versão consolidada.

Na terceira etapa, submete-se a versão sintetizada à revisão de especialistas, geralmente entre 3 e 5 juízes. Eles avaliam se os termos são adequados para diferentes contextos e se atendem ao público-alvo. Além disso, os juízes também analisam a diagramação do instrumento, especialmente quando se trata de instrumentos voltados para crianças ou idosos.

A quarta etapa consiste em um estudo-piloto com uma pequena amostra (30-40 participantes) da população-alvo. O objetivo é verificar se os itens são compreensíveis e se o vocabulário é apropriado. Assim, a equipe de pesquisa pode realizar ajustes nos itens antes da versão final.

Por fim, a quinta etapa é a retrotradução. Nessa fase, pelo menos dois novos tradutores traduzem a versão consolidada de volta para o idioma original. Esse procedimento não busca equivalência literal, mas sim identificar possíveis termos imprecisos no idioma-alvo. Após ajustes finais, a medida estará pronta para avaliação do autor original.

Veja também: Construção de itens para instrumentos de autorrelato

adaptação transcultural e construção de instrumentos.

Por que seguir as diretrizes propostas para o processo de adaptação transcultural?

Em suma, as diretrizes propostas para o processo de adaptação transcultural de medidas de autorrelato são fundamentais para garantir a validade e confiabilidade dos instrumentos utilizados em pesquisas transculturais. Seguir essas diretrizes ajuda não apenas a evitar equívocos e falhas na interpretação dos resultados, mas também a aumentar a precisão e qualidade das informações coletadas.

Ademais, é importante ressaltar que a adaptação transcultural de medidas de autorrelato é um processo contínuo e dinâmico. Sendo assim, ele deve levar em conta não apenas as diferenças culturais, mas também as mudanças nas características da população ao longo do tempo.

Para saber mais sobre tradução e adaptação de instrumentos de autorrelato, consulte o material do International Test Comission (ITC).

Conclusão

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Referência

Borsa, J. C., Damásio, B. F., & Bandeira, D. R. (2012). Adaptação e validação de instrumentos psicológicos entre culturas: Algumas considerações. Paidéia, 22(53), 423–432. https://doi.org/10.1590/S0103-863X2012000300014

Como citar este post

França, A. (2023, 7 de abril). Adaptação transcultural de medidas de autorrelato. Blog Psicometria Online. https://www.blog.psicometriaonline.com.br/adaptacao-transcultural-de-medidas-de-autorrelato/

Bruno Figueiredo Damásio

Sou Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia. Venho me dedicando à Psicometria desde 2007.

Fui professor e chefe do Departamento de Psicometria da UFRJ durante os anos de 2013 a 2020. Fui editor-chefe da revista Trends in Psychology, da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e Editor-Associado da Spanish Journal of Psychology, na sub-seção Psicometria e Métodos Quantitativos.

Tenho mais de 50 artigos publicados e mais de 5000 citações, nas melhores revistas nacionais e internacionais.

Em 2020, saí da UFRJ para montar a minha formação, a Psicometria Online Academy.

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