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Validade baseada nas consequências da testagem

Bruno Damásio

maio 9, 2021

A validade baseada nas consequências da testagem é uma das cinco fontes de validade dos testes segundo os Standards da AERA, APA e NCME (2014).

Embora, à primeira vista, as consequências ou os usos dos escores de um teste pareçam não ter ligação direta com a validade do instrumento, é essencial reconhecer que pesquisadores desenvolvem a maioria dos testes com um propósito avaliativo — e esse propósito pode gerar impactos relevantes na vida dos indivíduos avaliados.

Por isso, torna-se fundamental considerar tanto as consequências intencionais quanto os efeitos colaterais indesejados que decorrem do uso de testes psicológicos e educacionais.

banner da NAOPARE.

Exemplos de validade baseada nas consequências em ação

Vamos considerar um exemplo: imagine uma medida de depressão voltada para idosos. Se usarmos essa medida para rastrear ou descrever os níveis de depressão na população idosa em geral, será necessário refletir sobre as consequências sociais — intencionais e não intencionais — associadas aos resultados.

Por exemplo, um número muito pequeno ou muito elevado de idosos identificados como deprimidos pode impactar:

  • O financiamento de programas públicos de saúde mental;
  • O direcionamento de políticas públicas;
  • Os critérios para diagnóstico médico;
  • A cobertura e os custos de planos de saúde.

Outro exemplo: suponha que apliquemos um teste psicológico (teste X) a um grupo cultural distinto da amostra original que embasou o desenvolvimento do teste (por exemplo, povos indígenas, comunidades quilombolas, imigrantes etc.). Nesses casos, algumas perguntas essenciais são:

  • O significado das pontuações é o mesmo nesse grupo?
  • As pontuações são relevantes e úteis para essa população?
  • Quais são os efeitos do uso desse teste neste grupo específico?
  • As decisões tomadas com base nos escores trarão benefícios ou prejuízos?

Se o uso de um teste resultar em impactos negativos na vida da população-alvo, mesmo que de forma não intencional, poderemos entender tais consequências como adversas — e, inclusive, questionar o uso do instrumento.

foto ilustrativa do conceito de validade baseada nas consequências da testagem.

Como salvaguardar a validade baseada nas consequências da testagem?

Embora um teste possa ser usado em diversas situações, nenhum teste é universalmente adequado para todas as finalidades. Desse modo, o ideal é desenvolvermos instrumentos para situações ou contextos específicos, considerando sempre os propósitos originais de sua elaboração.

Como é inviável coletar evidências sobre as consequências do uso dos escores para todas as situações possíveis, cabe ao desenvolvedor do teste deixar claro quais usos são apropriados e quais inferências podem ou não ser feitas com base nos resultados obtidos.

Além disso, sempre que a aplicação do teste visar a tomada de decisões concretas (e não apenas à descrição ou interpretação dos escores), deve-se refletir sobre as consequências dessa aplicação. A recomendação é clara: devemos utilizar os testes quando os benefícios superarem os riscos — ou seja, quando pudermos maximizar as consequências positivas, e minimizar as negativas, a partir da utilização dos testes.

A escassez de pesquisas sobre a validade baseada nas consequências

Como vimos anteriormente, refletir sobre os aspectos éticos do uso dos testes é fundamental. Contudo, apesar da importância do tema, a validade baseada nas consequências da testagem não tem recebido tanta atenção na literatura especializada. Por exemplo, essa fonte de validade quase não é discutida ou operacionalizada na prática (Cizek et al., 2010).

Ou seja, mesmo com o reconhecimento oficial da AERA, APA e NCME (2014), ainda é raro encontrar avaliações sistemáticas sobre as consequências do uso dos testes nos contextos reais de aplicação.

validade baseada nas consequências da testagem e testagem de grupos culturais distintos da amostra normativa.

Conclusão

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Referências

American Educational Research Association, American Psychological Association, & National Council on Measurement in Education. (2014). Standards for educational and psychological testing. American Educational Research Association.

Cizek, G. J., Bowen, D., & Church, K. (2010). Sources of validity evidence for educational and psychological tests: A follow-up study. Educational and Psychological Measurement70(5), 732–743. https://doi.org/10.1177/0013164410379323

Como citar este post

Damásio, B. (2021, 9 de maio). Validade baseada nas consequências da testagem. Blog Psicometria Online. https://www.blog.psicometriaonline.com.br/validade-baseada-nas-consequencias-da-testagem/

Bruno Figueiredo Damásio

Sou Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia. Venho me dedicando à Psicometria desde 2007.

Fui professor e chefe do Departamento de Psicometria da UFRJ durante os anos de 2013 a 2020. Fui editor-chefe da revista Trends in Psychology, da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e Editor-Associado da Spanish Journal of Psychology, na sub-seção Psicometria e Métodos Quantitativos.

Tenho mais de 50 artigos publicados e mais de 5000 citações, nas melhores revistas nacionais e internacionais.

Em 2020, saí da UFRJ para montar a minha formação, a Psicometria Online Academy.

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