Neste post, falaremos sobre a Teoria de Resposta ao Item (TRI) e como ela pode transformar sua abordagem à análise e construção de testes. Primeiramente, exploraremos o que é TRI e seus principais conceitos. Em seguida, destacaremos as vantagens da TRI em relação à Teoria Clássica dos Testes. Por fim, discutiremos algumas perguntas que a TRI pode ajudar a responder, além de suas aplicações práticas.
Introdução
Quando se trata de análise e construção de testes em contextos educacionais e psicológicos, duas abordagens principais ganham destaque, a saber, a Teoria Clássica dos Testes (TCT) e a Teoria de Resposta ao Item (TRI).
Embora a TCT seja amplamente utilizada e tenha servido como base para muitas práticas de avaliação, a TRI se consolidou como uma alternativa robusta e moderna, trazendo importantes avanços para a avaliação de itens e respondentes.
Neste post, você entenderá que a TRI não só oferece uma análise mais detalhada e adaptável, mas também responde a perguntas importantes, que podem revolucionar o modo como você trabalha com testes e escalas.
O que é a Teoria de Resposta ao Item (TRI)?
A TRI é uma família de modelos matemáticos que descrevem a relação entre um traço latente (habilidade ou característica não observada) de um indivíduo e o padrão de respostas aos itens de um teste ou escala.
A TCT se concentra nas pontuações totais dos testes, enquanto a TRI analisa detalhadamente cada item, permitindo compreender o nível de dificuldade do item, o quão bem ele discrimina respondentes com níveis distintos do traço latente e qual é a probabilidade de acerto ou endosso ao acaso.
Veja também: O que é Teoria de Resposta ao Item (TRI) e quais são seus principais modelos?
Conceitos fundamentais da TRI
Antes de avançarmos para as vantagens, é importante relembrar alguns conceitos básicos da TRI.
- Traço latente: refere-se à habilidade ou característica que o teste mede, como proficiência em matemática ou traços de personalidade;
- Curva característica do item (CCI): representação gráfica que relaciona a probabilidade de acerto ou endosso de um item em função do nível de traço latente (Figura 1);
- Parâmetros do item: na TRI, cada item é descrito por parâmetros específicos. Por exemplo, nos modelos de parâmetros logísticos de TRI, temos os seguintes parâmetros dos itens:
- Dificuldade (b): nível do traço necessário para ter uma probabilidade de acerto ou endosso igual a 0,50;
- Discriminação (a): capacidade do item de diferenciar indivíduos com diferentes níveis do traço latente;
- Acerto ao acaso (c): probabilidade de acerto devido ao chute por um respondente com um nível de traço latente muito baixo;
- Erro aleatório (d): refere-se a erros causados por desatenção ou distração do respondente.
Saiba mais: Conceitos da Teoria de Resposta ao Item (TRI) que você precisa conhecer
Vantagens da TRI sobre a Teoria Clássica dos Testes
Em seguida, destacamos algumas das vantagens da TRI sobre a TCT.
Independência dos parâmetros dos respondentes: na TRI, os níveis de traço latente dos respondentes são independentes do teste aplicado. Dessa forma, podemos comparar traços latentes mesmo entre grupos que responderam a versões diferentes de um instrumento, algo inviável na TCT.
Independência dos parâmetros dos itens: além disso, os parâmetros dos itens são independentes do grupo testado. Essa propriedade permite comparar e utilizar os itens em diferentes populações, garantindo maior validade e generalização dos resultados.
Fidedignidade: a TCT assume um único erro-padrão de mensuração para todos os respondentes, enquanto a TRI reconhece que esse erro varia de acordo com o traço latente.
Isso possibilita o uso da curva de informação do teste, que descreve a fidedignidade relativa dos escores observados em diferentes regiões da distribuição do traço latente. Desse modo, a TRI obtém estimativas condicionais (ao traço latente) de fidedignidade, ao contrário da TCT, que estima um único coeficiente de fidedignidade para os escores de todos os respondentes.
Precisão e avaliação individualizada: a TRI permite criar testes adaptativos, selecionando itens com base na habilidade do indivíduo. Assim, é possível obter estimativas mais precisas com menos itens, otimizando a testagem.
Discriminação dos itens: a TRI analisa com maior detalhe a capacidade de um item em diferenciar indivíduos com habilidades distintas, superando, portanto, as métricas globais da TCT, como a correlação item-total.
Equidade e checagem de funcionamento diferencial do item (DIF): por fim, a TRI identifica e corrige itens enviesados, que favorecem ou desfavorecem certos grupos com o mesmo nível de traço latente.
Por exemplo, um item sobre choro frequente pode ter maior probabilidade de endosso por mulheres, o que destaca a importância de corrigir tais vieses para garantir justiça na testagem psicológica.
Algumas perguntas que a TRI responde
A TRI pode responder a questões que a TCT dificilmente aborda com precisão. Veja alguns exemplos:
- Qual grupo de participantes tem maior dificuldade com determinados itens?
- Qual item do teste é mais fácil ou mais difícil?
- Quais itens apresentam maior poder de discriminação entre respondentes?
- Qual item os respondentes são mais prováveis de acertar por chute?
- O padrão de resposta em uma escala Likert está alinhado com as expectativas?
Essas perguntas são cruciais para criar testes mais eficientes e fidedignos.
Aplicações da TRI
A TRI possui diversas aplicações. Em seguida, descrevemos algumas delas:
- Testagem adaptativa computadorizada (CAT): consiste em uma modalidade de testagem onde os itens são ajustados em tempo real com base no desempenho do respondente;
- Pesquisas médicas: avaliação de qualidade de vida e outras métricas relacionadas à saúde;
- Psicometria: Identificação de traços de personalidade e outras características psicológicas;
- Certificações profissionais: Desenvolvimento de exames mais justos e precisos para avaliar competências.
Apesar de suas inúmeras vantagens, implementar a TRI requer amostras grandes e o uso de softwares especializados, como o R e o Winsteps, o que pode demandar maior expertise técnica.
Conclusão
Neste post, descrevemos as principais vantagens da TRI sobre a teoria clássica dos testes. Além disso, discutimos algumas perguntas que a TRI pode ajudar a responder, bem como suas aplicações práticas. Aproveite se inscreva em nosso canal do YouTube para ficar por dentro de nossas novidades.
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Referências
de Ayala, R. J. (2022). The theory and practice of item response theory (2nd ed.). The Guilford Press.
Como citar este post
Lima, M. (2024, 24 de dezembro). Vantagens da TRI sobre a teoria clássica dos testes. Blog Psicometria Online. https://www.blog.psicometriaonline.com.br/vantagens-da-tri-sobre-a-teoria-classica-dos-testes/